Colégio vs Faculdade / Carreira dos sonhos?

(Sei que estou sem postar a mais de um mês, mas esse post é em parte uma explicação e também é sobre algo que eu vivi no meu último ano do colégio, e ainda vivo.)

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Faculdade. Essa era a palavra que mais me despertava nervosismo no ano passado. Terceiro ano, ano de vestibular. Aquele em que você só estuda, estuda e estuda, seja para o ENEM, outras provas, ou para o próprio colégio. O ano mais estressante, de mais dúvidas, medo e desespero. Tudo isso porque somos “obrigados” a escolher a profissão que desejamos seguir para o resto de nossas vidas tão cedo. E isso era o que mais me deixava nervosa: não fazer ideia do que eu queria, e ter que estudar para passar para uma coisa…indefinida(?) ou até inexistente. Como você se dedica estudando para alcançar um objetivo que você nem mesmo sabe qual é? Naquele ponto, eu já nem tinha vontade de fazer faculdade. Por dois motivos: 1- a minha falta de amor e curiosidade por algum curso e 2- o meu tão grande apego ao colégio. Eu me sentia um alien comparada aos meus amigos, porque ele eram o oposto de mim: muitos deles já tinham certeza do que queriam, alguns até já sonhavam com essas profissões desde pequenos, e eles mal podiam esperar para sair da escola. Por que eu era tão diferente? Não sabia, e continuo sem saber. Mas o meu colégio representava para mim quase que uma segunda casa, onde eu conheci os meus melhores amigos, tive o meu primeiro amor, chorei, ri, e amadureci, muito. E eu só não tinha vontade alguma de sair dessa realidade. Quanto mais eu pudesse adiar tal feito, seria melhor. Lá eu convivia com pessoas que eu conheço desde criança, e que eram praticamente minha família. Eu amava o ambiente, e sabia que sentiria até falta de estudar as matérias que não seriam minhas específicas (só não sinto falta das milhões de horas que eu passava estudando biologia na véspera da prova!). Era uma rotina com a qual eu estava acostumada desde sempre: botar o despertador para as 6h00, acordar só as 6h40, me arrumar correndo, e chegar na escola (à poucos passos da minha casa) exatamente às 7h20, no horário limite. Só que a hora de dizer ‘adeus’ chegou, mesmo que eu não quisesse. Infelizmente, tem algumas coisas que não são eternas. E desde o início do meu terceiro ano eu já sofria por antecipação a chegada desse dia. Veio a formatura, a missa, todo mundo chorou, se abraçou e teve aquele sentimento estranho ao perceber que não teria aula mais com aquelas mesmas pessoas de tantos anos. Enfim, só restava esperar a nota do ENEM e das provas das outras faculdades e ver no que dava. Eu não estava nem um pouco ansiosa para isso. Como disse antes: eu estava completamente confusa, sem saber de nada em relação ao curso, o que me desanimava demais. O tempo passou, e eu descobri que houvera passado para a PUC para Engenharia Química. Era esse o curso com o qual eu sonhava? Não. Eu gostaria muito de dizer que sim, mas não seria verdade. “Ué, por que você escolheu isso então?” Bom, porque eu sempre achei que eu era mais voltada para a área de exatas, e quando você fala isso, qual é a primeira coisa que as pessoas pensam? “Vai ser engenheira!”, e bom, de todas as engenharias a que eu mais achava que combinava comigo era a química (até porque eu amo química <3), e aí eu coloquei isso mesmo. E fui chamada para fazer esse curso na PUC-Rio. Eu recebi o email um dia antes do meu aniversário, mas só o vi, de fato, no dia. Fiquei feliz. Minha família ficou orgulhosa e de repente eu fiquei mais animada com essa ideia, ainda mais porque era para o segundo semestre, em agosto. Eu teria esses oito meses para fazer qualquer coisa, e isso me animou. Comecei a fazer aula de canto, que eu amo imensamente, academia, terminei meu inglês, e adiantei tudo para tirar a carteira de motorista. Mas quando ia se aproximando do início das aulas, eu ficava nervosa e desanimada. Mas me surpreendi, sabia? Minha primeira semana da faculdade foi boa. Conheci pessoas novas e bem legais. Fui para um lugar totalmente diferente do que eu estava acostumada e comecei a ter aulas no laboratório, o que eu realmente gosto. Só que sei lá… Eu estaria mentindo se dissesse que não é cansativo, ou que eu amo só estudar toda hora e ter prova sábado, ou que esse é o curso que eu amo e me vejo exercendo essa profissão no futuro. Não é assim. Tem dias que eu acordo desanimada e sem disposição para encarar quase duas horas de trânsito para ir e para voltar, ou para fazer milhares de exercícios para uma coisa que não me desperta aquela paixão. A diferença entre a Mari de agora e a Mari de 2014 é que eu não vejo mais isso como a pior coisa do mundo. Eu sei que eu sou jovem, e que mesmo o tempo não parando, eu tenho a possibilidade de trocar de curso ou correr atrás de um sonho. Eu não temo mais o termo “faculdade”. Eu sei o quão importante é ter um ensino superior, e eu estou cursando esse curso para ver se gosto. Estou me dedicando porque quero descobrir o que eu quero. Não é a minha carreira dos sonhos, mas é uma oportunidade, e essa é a chance que eu estou me dando para conhecer mais sobre isso. Até então é algo que eu estou levando. Mas se um dia me fizer infeliz, é porque não é pra ser. Porque não tem fundamento algum. E por mais que eu fique perdida, já vai ser uma certeza que eu vou ter: a de que não é isso que eu quero para a minha vida. Esse primeiro mês têm sido muito corrido, com muito estudo e pouco tempo para mim. Por isso, demorei tempo para postar. Só que eu vi que foi algo que me fez mal… Eu gosto de fazer essas postagens, e não tem porque deixar de fazê-las. E é assim que eu estou aprendendo a conciliar tudo ao meu redor, sem abrir mão do que me faz feliz e do que eu amo.
É normal se sentir confuso. Ter uma certeza tão grande assim é dificil, ainda mais em relação a carreira. O que eu aprendi nesse tempinho de um mês e pouco é que não tem nada melhor do que reservarmos tempo para fazer as coisas que amamos. Melhora tudo! O humor e os dias em geral. Por isso, eu pretendo fazer muitos e muitos posts :)

24 de setembro de 2015
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